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PP, PT e PSB: aliança em Pernambuco pode redesenhar o tabuleiro de 2026 e provocar rupturas internas

A possível aproximação entre PP e PT em alguns estados do Nordeste começa a movimentar o tabuleiro de 2026. Entre os estados citados nas articulações estão Maranhão, Piauí e Pernambuco. No plano nacional, o presidente do PP, Ciro Nogueira, busca reorganizar o partido e, no Piauí, tenta construir um caminho que lhe permita sobreviver politicamente, inclusive com a hipótese de aproximação com o PT.

Em Pernambuco, a discussão ganha contornos ainda mais complexos. O deputado federal Eduardo da Fonte defende a tese de que o PP poderia marchar ao lado do senador Humberto Costa, compondo uma mesma chapa majoritária. A movimentação, no entanto, esbarra diretamente na engenharia política da Frente Popular liderada por João Campos.

Hoje, Humberto Costa é tratado como nome natural ao Senado no campo governista. O problema é que a segunda vaga já é disputada por nomes de peso: Marília Arraes, Silvio Costa Filho e Miguel Coelho. Para acomodar a tese defendida por Eduardo da Fonte, João Campos teria que abrir mão de pelo menos três aliados estratégicos, algo que não parece simples nem politicamente indolor.

Do outro lado, o próprio PP enfrentaria turbulência interna. Eduardo teria que rever os espaços que o partido ocupa no governo Raquel Lyra, o que provocaria efeitos colaterais imediatos. Deputados estaduais da legenda que hoje compõem a base da governadora, como Antonio Moraes, Cleiton Collins, Kaio Maniçoba, Júnior Tércio e Adauto, teriam dificuldade de caminhar ao lado de PT e PSB, podendo inclusive aproveitar a janela partidária para deixar o partido.

Na bancada federal, nomes como Clarissa Tércio, Michele Collins e Mendonça Filho também enfrentariam forte incompatibilidade política em uma federação alinhada com PT e PSB. Ao mesmo tempo, parlamentares como Dannilo Godoy e France Hacker, aliados da governadora e de saída do PSB, também teriam dificuldade de migrar para um PP reposicionado à esquerda.

Há ainda o fator João Campos. Uma composição que exclua aliados estratégicos pode gerar reações imediatas. Marília Arraes já sinaliza disposição para disputar o Senado independentemente do arranjo. Silvio Costa Filho teria resistência a um movimento que o empurre para fora do projeto majoritário, podendo buscar outra construção. E o presidente nacional do União Brasil, Rueda, detém instrumentos partidários que podem alterar completamente o rumo de uma federação, caso se sinta prejudicado.

O prazo político colocado por Eduardo da Fonte, com a data de 4 de abril como referência, pode não coincidir com o tempo da governadora Raquel Lyra nem com o dos filiados que não pretendem ser surpreendidos por uma mudança brusca de alinhamento.

Na avaliação do Eleições, a tese de uma aliança entre PT, PSB e PP em Pernambuco é possível do ponto de vista aritmético, mas altamente complexa do ponto de vista político. O movimento exige rupturas, rearranjos e renúncias que podem custar caro para todos os lados.

O tabuleiro está montado. A pergunta é quem estará disposto a pagar o preço da jogada.

Ruan Braga

Ruan Braga é um jornalista conhecido por sua atuação dinâmica e imparcial na cobertura de temas políticos e sociais. Com uma abordagem investigativa e compromisso com a verdade, ele se destaca por levar informação de qualidade ao público. Seu trabalho abrange reportagens aprofundadas, entrevistas exclusivas e análises que contribuem para o debate público. Com credibilidade e engajamento, Ruan Braga vem conquistando espaço no cenário jornalístico e se firmando como uma referência na comunicação.

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