Coluna de Domingo
O isolamento político de Gilson Machado já não é mais apenas uma leitura de bastidor, ele se revela nos fatos. Nos últimos meses, Gilson tem se movimentado de todas as formas para se apresentar como um nome viável em qualquer cenário político, tentando ampliar pontes e demonstrar diálogo para além do campo ideológico ao qual sempre esteve associado.

Em entrevista recente, Gilson afirmou manter contato com pessoas de diferentes espectros políticos, chegando a citar interlocução até com figuras historicamente antagonistas do bolsonarismo. Entre os exemplos mencionados está Marília Arraes, conhecida liderança da esquerda pernambucana, defensora árdua do presidente Lula e que chegou a comemorar publicamente a prisão de Jair Bolsonaro. A fala teve o claro objetivo de sinalizar disposição ao diálogo e tentar romper a imagem de isolamento.
No entanto, o discurso não encontra correspondência na realidade partidária. Gilson Machado segue isolado dentro do PL Pernambuco, sem apoio interno consistente e sem articulação política que sustente um projeto eleitoral competitivo. Não há, até o momento, demonstração concreta de que o partido o enxergue como prioridade ou que esteja disposto a bancar sua viabilidade em disputas futuras.
Sem base partidária e sem um grupo político estruturado, Gilson tem recorrido às redes sociais como principal ferramenta de visibilidade, tentando manter-se em evidência e no debate público. O problema é que, na política real, exposição não substitui apoio, e narrativa não constrói candidatura sozinha.
O cenário atual aponta para um paradoxo. Enquanto Gilson tenta se mostrar como um nome capaz de dialogar com todos os campos, segue sem respaldo efetivo no próprio partido. A viabilidade que ele busca ainda esbarra em um isolamento político evidente, que não se resolve apenas com declarações públicas ou gestos simbólicos de aproximação.



