A deputada estadual Socorro Pimentel (União Brasil), líder do governo Raquel Lyra na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), já realizou devoluções de recursos aos cofres públicos em mais de uma ocasião, conforme registros administrativos e cobertura da imprensa ao longo dos últimos anos.
O episódio mais recente envolve valores pagos indevidamente à parlamentar como médica da rede pública estadual de saúde. Segundo esclarecimento formal da Secretaria de Administração do Governo de Pernambuco, gestão Raquel Lyra, houve falha operacional no sistema de folha de pagamento após mudança na plataforma em 2024, o que resultou em um pagamento indevido no mês de agosto daquele ano. De acordo com o governo estadual, o valor foi posteriormente devolvido ao erário.
O esclarecimento oficial foi formalizado em ofício datado de 5 de fevereiro de 2026, após a repercussão do caso na imprensa. A Secretaria informou que a deputada estava regularmente afastada do cargo efetivo para exercício do mandato parlamentar e que não houve outros pagamentos efetivos além da competência citada.
Entretanto, este não é o primeiro registro de devolução de recursos envolvendo o nome de Socorro Pimentel. Em 2017, reportagens do Jornal do Commercio noticiaram que deputados estaduais foram incluídos em levantamento do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE PE) que apontou despesas consideradas irregulares ou suspeitas relacionadas à verba indenizatória dos gabinetes parlamentares. Na ocasião, valores foram restituídos ao erário por diversos parlamentares, entre eles Socorro Pimentel, conforme registros do próprio TCE e declarações publicadas à época.
Naquele episódio, as despesas questionadas envolviam notas fiscais e empresas que passaram a ser alvo de auditorias do Tribunal de Contas. A devolução dos valores foi tratada como medida administrativa, sem que houvesse, até onde consta nos registros públicos, condenação judicial contra a parlamentar. À época, os deputados citados negaram irregularidades e afirmaram ter feito os ressarcimentos para sanar pendências apontadas pelos órgãos de controle.
A repetição de episódios envolvendo devolução de recursos públicos, ainda que resolvidos administrativamente, chama a atenção por envolver diferentes naturezas de gastos e períodos distintos da atuação parlamentar. Especialistas em gestão pública avaliam que a restituição de valores não configura, por si só, prova de ilegalidade, mas reforça a importância da transparência ativa e do funcionamento eficiente dos mecanismos de controle interno e externo.
Até o momento, não há informação de abertura de processos de responsabilização pelo Tribunal de Contas do Estado ou pelo Ministério Público de Pernambuco relacionados ao pagamento como médica, caso que o governo estadual afirma estar encerrado após o ressarcimento. Já o episódio envolvendo a verba indenizatória permanece registrado em decisões e relatórios de auditoria do TCE, acessíveis ao público.
Procurada em diferentes momentos, a deputada Socorro Pimentel negou irregularidades nos casos e afirmou manter uma trajetória pública pautada pela legalidade e pela transparência.


