A batalha política agora em Pernambuco se dá na Assembleia Legislativa, com a abertura oficial dos trabalhos legislativos de 2026. A retomada das atividades parlamentares nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, ocorre em um clima de alta tensão e polarização entre oposição e situação, em um ano que já é marcado pela disputa eleitoral e conflitos institucionais. Várias lideranças de ambos os lados já ocupam suas bancadas, aguardando os debates que prometem ser intensos ao longo do ano, e a governadora Raquel Lyra (PSD) é aguardada para participar da cerimônia de abertura dos trabalhos, tradicional momento em que o presidente da Alepe faz a leitura da mensagem ao Parlamento.

A sessão de abertura, que em anos anteriores se resumiria a discursos institucionais, ganha contornos de embate político aberto. A oposição e a base de apoio ao governo já se posicionaram de forma clara, transformando o plenário em um campo de confronto que reflete o cenário pré-eleitoral em Pernambuco. Este clima de disputa interna acompanha diretamente a gestão da governadora e suas relações com deputados de diferentes espectros políticos.

Além dos debates legislativos tradicionais esperados neste início de ano, um dos temas que mais tem alimentado a disputa política está ligado à forte repercussão de uma reportagem jornalística divulgada pela Record e outros veículos, que aponta a possível atuação de uma chamada “polícia paralela” pela Polícia Civil de Pernambuco, que teria investigado adversários políticos do governo estadual. A matéria trouxe à tona documentos internos, mensagens e depoimentos que supostamente indicariam a utilização de estruturas policiais para fins políticos, além de acusações de perseguição a servidores públicos.
Em meio a essa polêmica, a situação ganhou uma nova dimensão com uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a atuação da Polícia Federal para apurar possíveis práticas irregulares referentes a essa investigação policial suspeita, que teria monitorado agentes públicos e pessoas ligadas à gestão adversária no Recife. A própria Polícia Federal agora investiga o caso para verificar indícios de infrações penais federais ou eleitorais que possam ter sido cometidas, enquanto o governo estadual nega qualquer orientação política nesse sentido.
O episódio motivou também reações no meio político, com líderes da oposição questionando a conduta do governo e pedindo esclarecimentos sobre a legitimidade das ações policiais que teriam sido executadas. Houve manifestações de parlamentares, entre elas a colocação de que seria necessário aprofundar as investigações para esclarecer quem autorizou eventuais medidas que envolvem vigilância e monitoramento, e se elas ocorreram fora dos limites legais.
Dentro da Assembleia, ainda não há confirmação formal sobre a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica para tratar desse caso da Polícia Civil, mas a possibilidade está sendo ventilada por deputados da oposição e de diferentes frentes políticas, que buscam levar o tema para debate institucional no plenário e nas comissões. A pauta ainda deve ganhar contornos mais claros nos próximos dias de sessões.
Você acompanha todos os detalhes e a cobertura completa em primeira mão aqui no portal Eleições Brasil Sertão, com as principais informações sobre as articulações na Alepe, as reações políticas à reportagem e os desdobramentos das tensões que já se refletem no início dos trabalhos legislativos de 2026.


