A Câmara Municipal do Recife alcançou o número mínimo de assinaturas necessárias para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, com o objetivo de investigar ato do prefeito do Recife, João Campos (PSB), relacionado à nomeação de um candidato aprovado em concurso público para o cargo de procurador do município.
O pedido de abertura da CPI foi apresentado pelo vereador Thiago Medina (PL) e recebeu 13 assinaturas. Entre os parlamentares favoráveis à investigação estão vereadores do PL, Novo, PP, Avante, PSD, PV, PSOL, PT e também um parlamentar do próprio PSB, partido do prefeito.
A investigação pretende apurar possíveis indícios de tráfico de influência e eventual nepotismo cruzado na reclassificação de um candidato para a lista de Pessoas com Deficiência, PCD, após o prazo estabelecido no edital do concurso. O caso envolve o filho de uma procuradora municipal que, por meio de recurso administrativo, conseguiu reverter sua inscrição de vaga convencional para vaga destinada a PCD.
Após a reclassificação, o candidato foi nomeado pelo prefeito. A nomeação, no entanto, foi posteriormente revertida por João Campos após repercussão negativa do caso.
Segundo o requerimento apresentado na Câmara, a CPI deverá investigar não apenas a reclassificação do candidato dois anos após a homologação do concurso, mas também a eventual responsabilidade do prefeito, do procurador geral do município e de outros agentes públicos envolvidos no processo.
Outro ponto que deve ser analisado pelos vereadores é a publicação da nomeação em edição extra do Diário Oficial do Município no dia 23 de dezembro de 2025, às vésperas do Natal, circunstância que também gerou questionamentos entre parlamentares.
A eventual instalação da CPI amplia a tensão política na capital pernambucana e pode trazer desdobramentos relevantes para o cenário político estadual, sobretudo em um momento de reorganização de forças partidárias com foco nas próximas disputas eleitorais.
O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura do Recife e dos citados no requerimento, caso queiram se posicionar sobre o tema.


