Informações de bastidores obtidas junto a interlocutores ligados ao alto escalão do Partido dos Trabalhadores em Pernambuco indicam que a legenda já discute as condições políticas para um eventual apoio ao projeto eleitoral do prefeito do Recife, João Campos (PSB), na disputa pelo Governo do Estado em 2026.
De acordo com relatos feitos sob reserva, o diretório estadual petista avalia que o apoio integral à candidatura socialista passaria, necessariamente, pela construção da chapa majoritária, especialmente na definição das vagas para o Senado Federal. A estratégia lembraria o cenário das eleições municipais de 2024, quando o partido negociou espaços na composição da Frente Popular.
Nos bastidores, a avaliação é de que o PT deseja protagonismo na definição dos nomes ao Senado. Uma das possibilidades discutidas internamente envolve a manutenção do senador Humberto Costa na chapa, além da construção de um segundo nome alinhado ao campo progressista, embora ainda não exista consenso dentro da legenda sobre quem ocuparia essa posição.
Segundo a mesma fonte, há resistência dentro do partido a alianças com nomes considerados fora do campo político tradicional da esquerda. A hipótese de apoio ao ex-prefeito Miguel Coelho para o Senado, por exemplo, encontra objeções entre lideranças petistas.
Apesar da tendência de unidade formal, o cenário interno não é homogêneo. Setores do partido mantêm aproximação política com a governadora Raquel Lyra (PSD). Entre os nomes citados nos bastidores estão parlamentares estaduais que já demonstram alinhamentos distintos dentro do quadro estadual.
Um exemplo mencionado é o da deputada Rosa Amorim, que articula sua pré-candidatura à Câmara Federal em diálogo com lideranças ligadas à base governista. Em Caruaru, por exemplo, ela declarou apoio à pré-candidatura do secretário municipal Anderson Luiz, aliado da governadora.
As movimentações recentes também incluem encontros políticos que ampliaram especulações sobre possíveis rearranjos de alianças para 2026. Uma reunião envolvendo o presidente do PT Recife, vereador Osmar Ricardo, e a governadora Raquel Lyra teria ocorrido na última semana, segundo interlocutores, embora sem registro oficial nas agendas públicas.
O cenário segue em construção e revela que, a pouco mais de um ano das definições formais, a disputa por espaço nas chapas majoritárias já movimenta intensamente os bastidores da política pernambucana.


