A vereadora Izabel da Saúde, do município de Araripina, rompeu recentemente com o grupo político do prefeito Evilásio Mateus e anunciou apoio ao palanque do ex-prefeito Raimundo Pimentel e da deputada estadual Socorro Pimentel. A mudança de posicionamento foi oficializada durante um encontro político amplamente divulgado, no qual a parlamentar apareceu ao lado das novas lideranças que pretende apoiar nas eleições municipais deste ano, marcando uma alteração relevante no cenário político local.
Poucos dias após a mudança de palanque, o esposo da vereadora, Francisco Idelfonso de Lima Silva, conhecido nos bastidores como Idelfonso Dumel, foi nomeado para um cargo em comissão na estrutura do Governo do Estado de Pernambuco. Ele passou a ocupar o cargo de Assessor, símbolo CAA-2, na Secretaria da Casa Civil, com efeito retroativo a 2 de fevereiro de 2026.
A proximidade temporal entre o rompimento político da vereadora e a nomeação do esposo chama atenção e levanta questionamentos sobre a utilização de cargos públicos como instrumento de articulação política. Pelo padrão remuneratório do Estado, o cargo de Assessor CAA-2 tem vencimento bruto em torno de R$ 4.239,14 mensais, considerando vencimento básico e parcela de representação. O valor pode sofrer variações conforme descontos obrigatórios e eventuais adicionais.
Outro ponto que gera questionamentos é a ausência, até o momento, de informações públicas sobre a lotação efetiva do novo assessor. Não há clareza se Francisco Idelfonso de Lima Silva irá desempenhar suas funções em Recife ou em Araripina, qual será sua carga horária, rotina de trabalho e atribuições específicas dentro da Casa Civil. A falta de detalhamento reforça dúvidas sobre o caráter técnico da nomeação.
Diante do caso, a reportagem irá encaminhar questionamentos formais à Secretaria da Casa Civil e ao Governo do Estado, solicitando informações objetivas sobre a unidade de exercício do assessor, suas atribuições, o controle de frequência adotado e a remuneração total do cargo. Também serão enviados pedidos de esclarecimento à vereadora Izabel da Saúde e ao próprio nomeado, para que informem se houve indicação política direta, quais critérios técnicos embasaram a nomeação e como será o exercício das funções.
O episódio ultrapassa o contexto local de Araripina e expõe um exemplo de como movimentações políticas podem refletir rapidamente em nomeações na estrutura estadual. Quando uma mudança de palanque é seguida, em curto espaço de tempo, pela nomeação de um familiar para um cargo comissionado, é natural que a sociedade questione se se trata de coincidência ou de cálculo político. Cabe aos envolvidos apresentar transparência e esclarecimentos para afastar qualquer dúvida sobre o uso de cargos públicos como recompensa por apoio político.



