O presidente da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI), Yuri Coriolano, pediu demissão do cargo após apenas nove dias de nomeação. A saída ocorreu depois da repercussão de e-mails antigos, atribuídos a ele, com conteúdo racista e misógino, enviados em 2012, período em que ainda era estudante universitário.
Mesmo após divulgar nota oficial em que pediu desculpas, Yuri Coriolano decidiu entregar o cargo. Ele esteve pessoalmente no Palácio do Campo das Princesas, onde se reuniu com a governadora Raquel Lyra (PSD) para tratar do assunto. Com o pedido de exoneração, o governo estadual considerou o caso encerrado no âmbito administrativo.
Em declaração pública, a governadora afirmou que a gestão estadual não tolera misoginia, preconceito ou qualquer forma de racismo. Segundo Raquel Lyra, as providências cabíveis foram adotadas assim que o conteúdo veio a público, reforçando o posicionamento do governo diante de condutas consideradas incompatíveis com o serviço público.
Os e-mails que motivaram a demissão passaram a circular nas redes sociais e na imprensa nos últimos dias. As mensagens contêm declarações consideradas ofensivas, com teor racista e misógino. A repercussão foi imediata e gerou forte pressão política pela exoneração do então dirigente da EPTI.
A saída de Yuri Coriolano ocorre em meio a um contexto de desgaste na gestão estadual, que também enfrenta questionamentos envolvendo o Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE). O presidente do órgão, Vladimir Lacerda, foi acusado de assédio sexual por uma servidora, o que ampliou o debate sobre critérios de nomeação e conduta de dirigentes em cargos estratégicos do governo.
A EPTI é vinculada ao grupo político do deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que integra a base aliada da governadora e é apontado como pré-candidato ao Senado. O episódio reacende discussões no cenário político pernambucano sobre responsabilidade, histórico pessoal de indicados e os impactos dessas crises na imagem da gestão estadual, especialmente em um ambiente pré-eleitoral.
Com a exoneração, o governo deverá anunciar nos próximos dias um novo nome para comandar a EPTI. Enquanto isso, o caso segue sendo explorado no debate político, com reflexos diretos no discurso de combate ao preconceito e na cobrança por maior rigor nas escolhas para cargos públicos.


