Recife – PE | A recente publicação do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao lado do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), movimentou os bastidores da política pernambucana e reacendeu especulações sobre possíveis alianças para 2026. Em tom amistoso, João elogiou o trabalho de Miguel em Petrolina e destacou que o encontro serviu para debater “projetos e planos para o futuro do nosso estado e do Brasil”. Mas, nos bastidores, o que se desenha é algo maior: uma construção política que pode colocar Miguel na chapa majoritária de João, de olho no Senado Federal.
O movimento é significativo. Miguel Coelho foi um dos principais nomes da oposição em 2022, disputando o Governo de Pernambuco. Apesar de não ter chegado ao segundo turno, saiu fortalecido no Sertão, onde mantém capital político robusto. Já João Campos, prefeito mais bem avaliado do Brasil, lidera com folga as intenções de voto para o governo estadual, caso decida se candidatar em 2026.
A aproximação dos dois tem potencial para redesenhar o mapa político do estado. Uma eventual aliança entre João e Miguel reforça a presença do PSB em regiões onde o partido tem menos penetração — especialmente no Sertão, tradicional reduto da família Coelho. Nesse contexto, o movimento enfraquece diretamente a governadora Raquel Lyra (PSDB), que tem enfrentado dificuldades para ampliar sua base de apoio no interior, especialmente no pós-pandemia e após um início de mandato considerado tímido por analistas.
Outro fator que agita os bastidores é o interesse de Miguel por uma vaga no Senado. Nos bastidores, ele tem sinalizado que aceitaria integrar uma chapa liderada por João Campos, desde que com espaço competitivo. No entanto, a disputa por essa vaga deve ser acirrada. A ex-deputada federal Marília Arraes (SDD), prima de João e nome consolidado entre o eleitorado de esquerda, também manifestou interesse em disputar uma vaga majoritária em 2026, mas evitou confirmar se será candidata ao Senado. A indefinição deixa em aberto o cenário dentro do próprio campo político de João.
Ainda assim, a sinalização de diálogo entre João Campos e Miguel Coelho já mostra um novo cenário para Pernambuco em 2026. A construção de pontes entre líderes jovens e experientes, que já governaram importantes cidades do estado, aponta para uma possível coalizão de forças que pode se mostrar decisiva nas urnas.
Enquanto isso, Raquel Lyra observa de longe a movimentação de seus principais adversários. Com o Sertão em disputa e figuras influentes se articulando, a governadora terá que acelerar sua presença nas regiões do interior e reforçar sua base, sob pena de entrar em 2026 em condição de desvantagem.



